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5 indicadores financeiros que deveria acompanhar sempre

Faturar mais nem sempre significa ter uma empresa mais rentável. Conheça cinco indicadores essenciais para tomar decisões com base em informação real.
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A faturação é importante, mas não conta toda a história.

Uma empresa pode aumentar as vendas e, ainda assim, perder margem, enfrentar dificuldades de tesouraria ou tornar-se excessivamente dependente de financiamento. Para compreender verdadeiramente a evolução do negócio, é necessário acompanhar um conjunto reduzido de indicadores financeiros de forma regular.

Estes são cinco dos indicadores que qualquer gestor deveria conhecer.

1. Evolução das vendas

O volume de vendas mostra quanto a empresa faturou num determinado período. A sua análise deve ser feita em comparação com:

  • O período anterior;
  • O mesmo período do ano passado;
  • O orçamento ou objetivo definido;
  • A evolução por cliente, produto, serviço ou mercado.

Uma empresa pode crescer no total, mas estar a perder clientes estratégicos ou a depender demasiado de uma única linha de negócio.

Mais do que perguntar “quanto vendemos?”, importa perceber:

  • De onde veio o crescimento?
  • É recorrente ou resulta de uma situação pontual?
  • Está concentrado num número reduzido de clientes?
  • Foi necessário reduzir preços para vender mais?

O crescimento sustentável deve resultar de uma base comercial diversificada e de uma proposta de valor capaz de preservar a rentabilidade.

2. Margem bruta

A margem bruta indica quanto resta das vendas depois de deduzidos os custos diretamente associados aos produtos ou serviços vendidos.

Uma fórmula simplificada é:

Margem bruta (%) = (Vendas − custos diretos) ÷ vendas × 100

Se uma empresa faturar 100 mil euros e tiver 60 mil euros de custos diretos, apresenta uma margem bruta de 40%.

A análise deste indicador permite identificar:

  • Aumento do custo das matérias-primas;
  • Serviços ou produtos pouco rentáveis;
  • Descontos comerciais excessivos;
  • Necessidade de rever preços;
  • Perdas de eficiência operacional.

Um aumento das vendas acompanhado por uma quebra significativa da margem bruta pode significar que a empresa está a trabalhar mais para gerar menos valor.

3. EBITDA e margem EBITDA

O EBITDA procura medir o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciações e amortizações. É um indicador útil para avaliar a capacidade da atividade principal para gerar resultados.

A margem EBITDA relaciona esse resultado com as vendas:

Margem EBITDA (%) = EBITDA ÷ vendas × 100

Acompanhar este indicador ajuda a perceber se o crescimento da empresa está a traduzir-se numa melhoria efetiva da rentabilidade operacional.

Uma margem em queda pode revelar:

  • Crescimento excessivo dos custos fixos;
  • Falta de produtividade;
  • Preços desajustados;
  • Estrutura demasiado pesada;
  • Investimentos que ainda não estão a gerar retorno.

O EBITDA não representa o dinheiro disponível em caixa, mas oferece uma leitura importante sobre a eficiência da operação.

4. Fluxo de caixa operacional

Uma empresa pode apresentar lucro contabilístico e, mesmo assim, não ter liquidez suficiente para pagar salários, fornecedores ou impostos.

O fluxo de caixa operacional mostra quanto dinheiro a atividade efetivamente gerou ou consumiu durante um período. É influenciado pelos resultados, mas também pelos prazos de recebimento, pagamentos a fornecedores e variações de inventário.

Quando o EBITDA é positivo, mas o fluxo de caixa operacional permanece negativo, deve procurar-se a causa. As situações mais frequentes incluem:

  • Clientes que pagam demasiado tarde;
  • Acumulação de stock;
  • Adiantamentos insuficientes;
  • Crescimento rápido sem fundo de maneio adequado;
  • Pagamentos a fornecedores antes do recebimento dos clientes.

A tesouraria deve ser projetada antecipadamente. Um mapa previsional de 12 ou 13 semanas pode ajudar a identificar necessidades de financiamento antes de estas se transformarem num problema.

5. Prazo médio de recebimento

O prazo médio de recebimento indica quantos dias, em média, a empresa demora a cobrar aos clientes.

Uma fórmula simplificada é:

Prazo médio de recebimento = saldo médio de clientes ÷ vendas a crédito × número de dias do período

Se este prazo aumentar continuamente, a empresa está, na prática, a financiar os clientes.

Para melhorar o indicador, pode ser necessário:

  • Definir condições de pagamento mais claras;
  • Faturar mais rapidamente;
  • Solicitar adiantamentos;
  • Automatizar lembretes;
  • Acompanhar faturas vencidas;
  • Rever limites de crédito por cliente.

Reduzir o prazo de recebimento pode ter um impacto imediato na liquidez, mesmo sem aumentar as vendas.

Os indicadores devem ser analisados em conjunto

Nenhum destes números deve ser interpretado isoladamente.

Um crescimento das vendas pode ser positivo, mas não se for acompanhado por uma queda da margem e por dificuldades de cobrança. Da mesma forma, uma empresa pode apresentar uma boa rentabilidade operacional e estar excessivamente endividada.

O ideal é criar um painel de gestão simples, atualizado mensalmente, que permita acompanhar:

  • Evolução face ao período anterior;
  • Desvios em relação ao orçamento;
  • Tendências positivas ou negativas;
  • Causas dos principais desvios;
  • Ações a implementar.

O objetivo não é produzir mais relatórios. É transformar informação contabilística em decisões de gestão.

Da contabilidade à decisão

Uma contabilidade atualizada deve permitir ao gestor compreender o presente e antecipar o futuro.

Na Ponto Óptimo ajudamos a organizar e interpretar a informação financeira da empresa, criando uma visão mais clara sobre rentabilidade, tesouraria e capacidade de investimento.

Conhecer os números certos, no momento certo, permite tomar decisões com maior segurança.

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